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Terça-feira, 7 de dezembro de 2021

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Boletim n°12 - Dez. 2007
Corpo de Guias da Unicerj‹‹ anterior 
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Escola Técnica de Guias Excursionistas

Vetor de transformação da realidade unicerjense:
a turma de 2007 da ETGE

A Escola Técnica de Guias Excursionistas iniciou as atividades da turma de 2007 em outubro de 2006, com oito alunos: quatro caminhantes e quatro caminhantes e escaladores. Como acontece em todas as turmas, a programação foi planejada visando o máximo de oportunidades para um aprendizado abrangente. A intenção foi garantir não apenas a aquisição de habilidades técnicas, mas também a formação de líderes.

O curso está em andamento e sua conclusão será em abril de 2008. Tivemos a ventura de realizar com êxito boa parte das atividades previstas. Mesmo quando as condições climáticas inadequadas ou motivos de força maior impediram a realização de algumas excursões, estas foram substituídas por outras, que foram realizadas com sucesso.

De outubro de 2006 a março de 2007 foi realizada a primeira fase do curso. Todos os oito alunos participaram das excursões, independente de serem candidatos a Guias Caminhantes ou a Guias Caminhantes e Escaladores. Nesta primeira fase da Escola de Guias os alunos entram em contato, pela primeira vez, com situações que desafiam sua capacidade de agir e reagir ao inesperado. Um exemplo de situação como esta ocorreu no dia 11/02/2007, quando realizamos a sexta investida em conquista do Paredão José Kayan, em Mangaratiba. Ao voltarmos para casa enfrentamos um temporal na Rodovia Rio-Santos que nos fez levar cerca de nove horas para percorrer 120 Km. No dia anterior, havíamos realizado também pela Escola de Guias a quinta investida na mesma conquista e não tivemos qualquer problema na volta para o Rio de Janeiro. São também para situações deste tipo, que um Guia precisa estar preparado. O importante é não esmorecer por maior que seja a dificuldade.

A primeira fase da ETGE/2007 foi concluída com a Travessia Petrópolis-Teresópolis nos dias 16 e 17 de março de 2007. Essa excursão valeu também pelo Curso Básico de Montanhismo. Apesar das costumeiras chuvas de verão os alunos apresentaram excelente desempenho e todos foram aprovados para a segunda fase.

Ao iniciar a segunda fase, o Corpo de Guias identificou que o aluno André Kaercher - candidato a Guia caminhante, destacou-se em seu desempenho e decidiu convidá-lo a passar para candidato a Guia Caminhante e Escalador. Ele aceitou o convite e, desse modo, foi iniciada a segunda e decisiva etapa da ETGE, onde as exigências crescem exponencialmente e as excursões ficam mais complexas, demandando dedicação a toda prova.

Os alunos foram então divididos em dois grupos.

Candidatos a Guias Caminhantes:
Carlos Henrique Lima,
– Nataniel Carvalho Luz (Natan),
– Wellington Koji Omura (Well)

Candidatos a Guias Caminhantes e Escaladores:
Gabriela Alejandra Huamán Pino,
– André Loeblein Kaercher,
Marina de Andrade Iguatemy,
Rafael Augusto do Couto Albuquerque,
– Eduardo dos Santos Terra.

A segunda fase foi iniciada em meados de abril com duas excursões simultâneas. Os Caminhantes rumaram, mais uma vez, para a Travessia Petrópolis-Teresópolis que possui muitas sutilezas a serem apropriadas pelos futuros Guias. Os demais alunos rumaram para o Espírito Santo com o objetivo de escalar o Pico do Itabira.

Esta ida ao Itabira foi a primeira de uma série de cinco grandes excursões que nossa ETGE fez no Espírito Santo na temporada de 2007. A conclusão desta série foi uma excursão de três dias no mês de setembro, com a Travessia do Parque Nacional do Caparaó, incluindo a ascensão ao Pico da Bandeira e ao Pico do Cristal. Vale lembrar que a Unicerj tem um acervo representativo de vias conquistadas no Espírito Santo, além das que estão em andamento, sem contar as que ainda não foram iniciadas, mas fazem parte dos nossos sonhos a serem concretizados.

A Escola Técnica de Guias Excursionistas sempre foi um vetor de transformação da realidade para a Unicerj. A turma de 2007 vem dando continuidade a este processo histórico e muitas das conquistas realizadas no Espírito Santo são frutos deste processo. Em nossa primeira ida ao Espírito Santo no ano de 2007, nosso objetivo era escalar e regrampear a Chaminé Edilso Debarba, conquistada por nós em 2005. Esta via diretíssima segue da base do Itabira até o cume pela face sudeste, num prumo assustador, belíssimo, valendo-se de uma sucessão de fendas, chaminés e passagens diagonais. As características singulares dessa magnífica escalada exigiram que viabilizássemos vias de descida alternativas como a Des. José Saramago, no fim da primeira chaminé, bem como a Des. Oscar Niemeyer que começa após uma sucessão de lances diagonais para a esquerda, justamente onde se inicia a segunda chaminé que segue até o cume.

Levamos dois dias seguidos na montanha para regrampearmos a Chaminé Edilso Debarba. No segundo dia, após termos completado a escalada - faltava só uma pequena caminhada por entre um frondoso bosque – optamos por não ir ao cume. É preciso muita abnegação para deixar de ir ao cume tão próximo. No entanto, decidimos conquistar a Descida Machado de Assis que evita a última chaminé diagonal, aumentando em muito a segurança daqueles que ousarem escalar o Pico do Itabira pela Chaminé Edilso Debarba. O nome de Machado de Assis tinha sido a sugestão do Edilso, quando conquistamos a chaminé que leva o seu nome. Ao designarmos a descida, atendemos a sugestão do Edilso e homenageamos este grande escritor brasileiro.

Combinamos voltar no mês seguinte para escalar a Chaminé Edilso Debarba, desta vez até o cume. No entanto, ao chegarmos à Rodoviária de Cachoeiro do Itapemirim, constatamos que as condições climáticas não eram favoráveis. Estávamos muito motivados, mas tivemos a sagacidade de reconhecer, mais uma vez, que um bom plano é aquele que pode ser mudado. Viajamos então mais para o interior do estado e escalamos em um dia a Agulhinha Juliana, que fascinou a todos que não conheciam esta preciosa escalada. No dia seguinte, chegamos a pensar em ir para o Itabira, mas concluímos que precisaríamos de dois dias para fazer a escalada no ritmo que consideramos mais conveniente. Por isso deixamos o Itabira para outra ocasião e fomos investir em uma nova conquista na Pedra da Freira.

Finalmente em junho deu tudo certo. Conseguimos escalar em dois dias o Itabira pela Chaminé Edilso Debarba. Nesta excursão deixamos uma camiseta da Unicerj de presente aos próximos escaladores do Itabira. Também instalamos um novo livro de cume nesta montanha que em 2007 completou 60 anos que foi escalada pela primeira vez, por uma valorosa equipe do CERJ liderada por Sílvio Joaquim Mendes.

Nos meses seguintes a ETGE/2007 prosseguiu entusiasticamente, aproveitando a melhor época do ano para a prática do montanhismo. Muitas excursões foram então realizadas, não só na cidade do Rio de Janeiro, como em Niterói, Petrópolis, Teresópolis e Itatiaia. Vale destacar as várias idas ao Dedo de Deus e Agulha do Diabo, quando com a concordância do Centro Excursionista Brasileiro, duplicamos três grampos de descida, aumentando a segurança de todos que lá forem em busca de emoções que nada têm a ver com riscos inaceitáveis.

Vale ressaltar o sucesso que foi a escalada do Paredão Che Guevara. Esta via, marcada por uma sucessão de lances desafiadores, representa a trajetória da grande legenda e mártir libertário da América Latina. Por este valor intrínseco, sistematicamente marcávamos esta excursão em várias ETGEs, mas nunca conseguíamos cumprir esta programação, pelos mais diversos motivos. O Par. Che Guevara acabava sendo realizado em alguma excursão fora da Escola de Guias. A ETGE/2007 quebrou este tabu.

Por outro lado, dessa vez acabamos não indo a Salinas, que é uma das regiões mais espetaculares que conhecemos. Em contrapartida fizemos a Chaminé Unicerj, que é sempre um desafio estupendo, não só pelas dificuldades a serem superadas, como também pelo simbolismo que representa para o nosso Clube.

Uma das atividades mais marcantes da ETGE/2007, que também foi aberta aos demais sócios do Clube, foi o acantonamento no Abrigo Rebouças no Parque Nacional do Itatiaia em julho de 2007. De lá partimos em dois dias seguidos para variadas caminhadas e escaladas nas Agulhas Negras e Prateleiras. Pretendíamos voltar a Itatiaia no primeiro fim de semana de setembro. Já estávamos com a autorização da Administração do PNI para vinte pessoas confirmadas e duas vans alugadas, quando um incêndio de grandes proporções fechou o Parque e nos obrigou a cancelar esta que muito provavelmente seria mais uma bela excursão da Unicerj.

A terceira fase, que é o Estágio Supervisionado, já foi iniciada e esperamos formar os nossos novos Guias no dia do décimo aniversário do Clube - 17 de abril de 2008. Pela dedicação e compromisso dos alunos, acreditamos que a Unicerj vai contar com uma nova safra de excelentes Guias.
Santa Cruz


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