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Terça-feira, 7 de dezembro de 2021

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Boletim n°12 - Dez. 2007
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O Cerrado Brasileiro - Serra do Cipó

12 a 15/11/2005

Quando planejei a excursão à Serra do Cipó, descobri que dentro do Parque Nacional da Serra do Cipó há um abrigo para pesquisadores. Telefonei para lá e conversei com o Diretor Henri Dubois Collet, que muito cordialmente me informou que o abrigo estava reservado pelo IBAMA e pelos bombeiros para o feriado, mas que em outra oportunidade seria um prazer nos receber. Pedi ajuda à Marcia e à Caroline (que estava inicialmente inscrita, mas precisou desistir) para pesquisar campings e pousadas.

Angela, Elaine, Lívia, Marcia, Marina, Júnior e eu saímos do Rio na madrugada de sábado em dois carros e fizemos a primeira parada para lanche pouco depois da entrada para Juiz de Fora. Ainda paramos duas vezes em Belo Horizonte, sendo uma para troca de motoristas e outra para abastecimento, antes de seguir pela MG-010, sentido Lagoa Santa e Conceição do Mato Dentro. Vale dizer que nos perdemos no anel rodoviário de Belo Horizonte, considerado por muitos o melhor do país. Não sei se foi problema nosso ou dele...

Já na região da Serra do Cipó, fomos direto para a Serra Morena, pois eu tinha indicação de três cachoeiras maravilhosas lá. Estava chovendo, mas assim mesmo acreditamos que seria interessante. Porém, o senhor que nos atendeu na entrada foi extremamente mal educado, disse que com a chuva só poderíamos olhar rapidamente de longe, mas que teríamos que pagar a entrada inteira (R$ 5,00 por pessoa). Demos meia-volta e fomos para a Pousada Chapéu do Sol, no km 103 da MG-010. Não é minha intenção fazer qualquer tipo de propaganda, mas não posso deixar de citar a Solange e o Luís, que além de nos receberem muitíssimo bem, ainda nos fizeram um ótimo preço para as três noites, incluindo excelente café da manhã.

Ainda no sábado, saímos para fazer a trilha do Caminho dos Escravos, que liga a estrada à Mãe D’Água, que é a nascente da Cachoeira Véu da Noiva. No caminho, observamos vegetação e terreno bem característicos do cerrado, com riachos, argila, areia e muitas rochas diferentes.

No domingo ensolarado fomos visitar o Parque Nacional da Serra do Cipó. Chegando lá, perguntei pelo Henri, mas fui informado de que ele saíra para a cidade. A funcionária que nos atendeu nos deu várias informações sobre as trilhas e um folheto com um mapa. Pagamos a entrada de R$ 3,00 por pessoa e seguimos.

As trilhas são longas, porém planas. Para a Cachoeira da Farofa, são 7 km desde a entrada do Parque, mas é necessário atravessar o Ribeirão dos Mascates para chegar até lá. Por causa das chuvas nos dias anteriores, atravessamos o rio com a água na altura do peito. A Cachoeira da Farofa é maravilhosa, fora o visual das montanhas em volta. Aproveitamos para fazer o almoço lá mesmo. Só não entendi porque os outros não se animaram a mergulhar...

Para chegar ao Cânion das Bandeirinhas, é necessário voltar, atravessar o rio novamente e continuar na trilha. A partir da bifurcação, são mais 6 km (12 km a partir da entrada do Parque). Mais uma vez é preciso atravessar o rio, mas agora com água na altura dos joelhos. A trilha acaba em um local com vista para dentro do cânion.

Na saída do Parque, perguntei mais uma vez pelo Henri, mas o vigilante me disse que ele já havia ido embora. Deixei então um exemplar do nosso Boletim, uma cópia das Cartas Abertas e um bilhete agradecendo pela cordialidade quando me atendeu ao telefone.

À noite, conversamos bastante com o Luís, que nos deu várias dicas sobre as atrações da região. Entre muitas outras informações, ele disse que o Poço Azul estava fechado por causa de problemas entre o IBAMA e o dono do terreno, que ainda não foi indenizado.

No dia seguinte, segunda-feira, acordamos cedo e seguimos para o Fervedouro. É uma pequena nascente com fundo de areia branca cuja superfície apresenta um leve borbulhamento. Todos concordamos que não é muito interessante.

Voltamos para a pousada para aquele delicioso café da manhã. Depois, seguimos com destino à imperdível Cachoeira da Capivara (entrada R$ 3,00), mas antes paramos ao lado da estátua do Juquinha para tirar fotos. Juquinha era um morador da região que gostava de contar histórias e oferecia flores às moças que encontrava.

Ainda na segunda-feira, visitamos a Cachoeira Grande (entrada R$ 5,00; R$ 10,00 nos fins de semana), que é muito bonita. Pode-se tomar banho embaixo da queda d’água, ou no alto, onde há uma pequena represa e onde fizemos um lanche reforçado. Depois do farnel e de muitas fotos, partimos para a Lapa da Sucupira, sítio arqueológico onde podem ser vistas pinturas rupestres de cerca de 7 mil anos.

O caminho para a Lapa da Sucupira é um pouco complicado, pois não há nenhum tipo de indicação. Depois de muito perguntar, chegamos à propriedade do Sr. Barbino e da Dona Margareth, que foi quem nos recebeu muito bem, dizendo que havia uns dois anos que não aparecia ninguém por lá para visitar. Cobrou R$ 2,00 por pessoa e nos deu frutas à vontade. Disse que a sua sogra mora ao lado e sabe explicar mais sobre a história do local, mas não estava em casa. A Dona Margareth ainda nos contou que uma vez duas pessoas chegaram lá, quebraram algumas pinturas e levaram, dizendo que era para a universidade. Ela tentou impedir, mas sozinha não pôde fazer nada.

O local é realmente muito bonito. Há construções de argila dentro das grutas que parecem ser reservatórios de água e alimentos, bem como uma espécie de forno. Do lado de fora, dezenas de pinturas rupestres, representando pessoas, animais, plantas, contagens e outras coisas. Emocionante imaginar a vida naquela época. Antes de sair, ainda sofremos um ataque de marimbondos, mas felizmente nada grave.

No último dia de viagem fomos até Conceição do Mato Dentro (60 km, sendo grande parte de asfalto muito bom e alguns trechos de terra em mau estado de conservação), depois mais 22 km até o distrito de Tabuleiro. Mais uma vez precisamos perguntar bastante para achar o caminho. Em uma dessas perguntas, conhecemos o Sr. Geraldo, morador de Tabuleiro, que estava indo para lá e para quem demos carona. Assim, não tivemos mais problemas.

A Cachoeira do Tabuleiro fica dentro do Parque Municipal de Ribeirão do Campo. Na entrada conhecemos o Cristiano, que é Guia da região e trabalha no Parque. Indicou-nos as duas trilhas mais fáceis: uma que vai até um mirante (20 a 30 min) e outra que vai até o poço da cachoeira (1h30min a 2h). Por falta de tempo, decidimos ir apenas até o mirante, pois ainda íamos viajar de volta para o Rio. A Cachoeira do Tabuleiro é realmente impressionante. São aproximadamente 280 metros de queda dentro de uma formação que parece um coração. A água espalha-se pelo ar muito antes de chegar lá embaixo. Todos ficamos com muita vontade de descer até o poço, mas isso comprometeria demais a nossa viagem de volta para casa. Saímos de lá direto para a pousada para fechar a conta e pegar as coisas, voltando então para o Rio.

Chegamos cansados no início da madrugada, mas muito felizes por mais essa excursão maravilhosa, onde pudemos conhecer um pouquinho do Cerrado Brasileiro.

Bonolo


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