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Terça-feira, 7 de dezembro de 2021

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Boletim n°13 - Dez. 2008
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Editorial

O montanhismo é, como toda atividade humana, um microcosmo da sociedade em que vivemos. De acordo com os seus valores e sua visão de mundo, cada um tem o direito de escolher a forma como vai praticá-lo. Nesse sentido, é importante para cada indivíduo fazer uma reflexão prévia acerca de suas opiniões e crenças. Surgem então algumas perguntas que devem ser respondidas para a correta escolha do seu estilo:

1) Praticar de modo amador ou de modo profissional?
Enquanto uns apreciam e têm condições de praticar o montanhismo apenas como atividade lúdica, em dias ou horários de folga do trabalho, outros, por necessidade ou opção, encaram o montanhismo como profissão, instruindo clientes e levando-os à montanha em troca de uma remuneração.

2) Dentro de uma perspectiva individual ou coletiva?
Alguns montanhistas preferem a solidão durante uma caminhada ou mesmo uma escalada, contemplando o silêncio e a sensação de completa responsabilidade sobre si mesmo. De outro modo, é mais interessante para muitos o sentido de comunhão e de convivência, de realização conjunta e esforço coletivo.

3) Privilegiando a relação Homem-Natureza ou ignorando que o ser humano é parte integrante do meio ambiente?
Não há dúvidas de que todo caminhante ou escalador consciente deseja o melhor para o meio ambiente e, nesse sentido, incentiva e toma as atitudes necessárias para defendê-lo. Existem iniciativas que estimulam a educação e a maior interação das pessoas com a natureza com o intuito de preservá-la. E há também aqueles que defendem que os ambientes naturais devam ser fechados e vedados aos seres humanos.

4) Estimulando a competição ou de modo não competitivo?
A emoção proporcionada pela competição é considerada importante por uma parcela dos montanhistas, que participam de jogos, disputas e corridas tanto em caminhadas quanto em escaladas. Alternativamente, pode-se praticar o montanhismo sem competição, uma vez que as vias de escaladas e descidas, bem como as trilhas, já impõem uma vasta gama de dificuldades e desafios.

Desde que a Unicerj foi fundada, em 17 de abril de 1998, temos procurado externar com transparência, firmeza e coerência nossas opiniões fundamentadas no modo como praticamos o montanhismo.

Nós da Unicerj respondemos a essas quatro perguntas da seguinte maneira:

1) Defendemos e praticamos montanhismo amador em todas as atividades realizadas pela Unicerj. Cabe ressaltar que entendemos por amadores os que praticam uma determinada atividade sem que haja qualquer motivação financeira. Profissionais, cuja importância para a sociedade também reconhecemos, são os que praticam por profissão.

2) Visando fortalecer os vínculos fraternos em nosso Clube, acreditamos que o modo solidário de atuação seja o mais adequado para os objetivos da Unicerj.

3) Quanto à perspectiva ambiental, privilegiamos uma visão de natureza que vá além das plantas e dos animais e que tenha um viés verdadeiramente ecológico, incluindo e beneficiando todos os seres humanos.

4) Finalmente, para nós, o montanhismo deve ser não competitivo, pois haverá sempre conflito entre competitividade e a prática segura e solidária do montanhismo. Acreditamos que é fundamental reduzir também a competitividade do mundo à nossa volta, incentivada pela mídia hegemônica em todas as suas formas.

Desse conjunto de valores quanto ao modo de pensar e agir surgiu o MASENC, que constitui o ideário da UNICERJ: Montanhismo Amador, Solidário, Ecológico e Não Competitivo. Foram longos os caminhos que percorremos até chegarmos a ter esse direcionador de nossas iniciativas. Na verdade, esse aprendizado teve início muitos anos antes que a Unicerj viesse a ser fundada.

Mas isso não quer dizer que não existam outros caminhos. Há espaço para todos no montanhismo. Em todo o mundo, paralelamente ao montanhismo amador, existem os que se dedicam ao montanhismo profissionalmente. Não vemos nenhum problema nisso, pelo contrário, acreditamos que cada um tem o seu lugar nessa atividade. Temos inclusive alguns sócios que são montanhistas profissionais. Evidentemente, não exercem sua profissão dentro do nosso Clube, pois respeitam, como todos os demais sócios, o Estatuto da Unicerj.

Do mesmo modo, há os que gostam de competições no montanhismo. A Unicerj não participa e nunca participou de competições, mas qualquer sócio é livre caso deseje participar delas, desde que não o faça representando o Clube.

O mesmo vale para as outras duas perguntas. Cada um é livre para ter sua visão de mundo numa sociedade pluralista que assegura o direito constitucional de livre reunião e associação. A convivência civilizada pressupõe o respeito às diferenças. Este é o princípio fundamental da vida em sociedade, ao menos das sociedades de homens livres.

Independentemente, contudo, de ser um montanhista amador ou profissional; solitário ou que aprecia o convívio humano; ter um posicionamento ecológico mais abrangente ou excludente; gostar de competições ou não... há uma questão que transcende a todas estas caracterizações: promover atividades montanhísticas que sejam aceitáveis do ponto de vista da segurança dos montanhistas ou aceitar correr riscos em demasia?

Em outras palavras: privilegiar a segurança ou o risco?

Esta pergunta é, a nosso ver, a mais importante de todas.

Há uns poucos que preferem o risco como fim em si mesmo. Estes se expõem, conscientemente ou não, a acidentes gravíssimos cada vez que vão às montanhas em excursões temerárias, escaladas mal protegidas ou mesmo sem equipamento de segurança, desafiando a morte por vaidade ou arrogância.

Nós da Unicerj somos cada vez mais adeptos da prática do montanhismo com segurança, não apenas associada à utilização de equipamento confiável, em bom estado de conservação e adequado para cada atividade, mas também através da preparação de cada integrante da excursão, levando-se em conta o seu condicionamento físico, técnico, psicológico e o próprio amadurecimento. Aliando-se a isso a escolha de lugares adequados, tanto para caminhadas quanto para escaladas e descidas, acreditamos que as excursões podem ser realizadas com um mínimo de segurança aceitável.

É evidente que o que é aceitável para uns é completamente inaceitável para outros e todos nós precisamos reconhecer as limitações humanas, pois não vamos à montanha para provar nada a ninguém, nem em busca de troféus ou prêmios por desafiarmos as leis da natureza, que valem para todos os seres humanos.

Nossas preocupações são de outra natureza. Estamos mais interessados em que o montanhismo seja uma atividade que transforme para melhor a vida das pessoas que venham a descobrir o fascínio da montanha.


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