François

A semana que antecedeu a excursão foi muito tensa: todos preocupados com as previsões climáticas, pois não eram favoráveis para a realização de uma travessia. E assim, ao longo da semana alguns participantes desistiram; sexta feira restava apenas nove participantes.
Acompanhei o radar do Clima Tempo a semana toda. Analisando as tendências, observei que haveria uma janela de tempo favorável no sábado. Com base nessa análise, decidi levar adiante o planejamento e realizar a atividade.
Anísio e Maurenza estavam preocupados com essas previsões, mas na quinta feira eu conversei com eles, mostrando que seria possível realizarmos a excursão pelo menos no sábado. O domingo deixaríamos para avaliar in loco.
Saímos do largo do Machado no sábado por volta das 06:20 horas e tomamos o café da manhã na padaria de Corrêas. O tempo na região estava nublado, mas sem previsão de chuva.
Ao desembarcamos da Van, já deixei instruções ao motorista que talvez fosse necessário nos resgatar ali mesmo em Petrópolis, mas eu tentaria me comunicar com ele por volta das 13:00 horas de domingo para informar o local exato. De qualquer forma, a princípio, manteríamos o plano original de resgate em Teresópolis por volta das 19:00 horas
Chegamos na portaria do parque e iniciamos os procedimentos burocráticos para adentrar o parque. Foi quando descobrimos que seríamos o único grupo a realizar a travessia naquele fim de semana. Havia apenas algumas pessoas que iriam fazer caminhadas curtas e uma dupla de corredores que pretendiam fazer um bate-e-volta até o Açu.
Iniciamos a caminhada às 09:10 hora em direção à bifurcação do Véu de Noiva. Na parte final desse trecho a tristeza: a região foi muito atingida pelo último incêndio criminoso ocasionado por balão. Fomos testemunhando a destruição até mais ou menos acima da Pedra do Queijo. Muito triste ver todo aquele trecho de subida destruído; muitas árvores carbonizadas! Realmente revoltante essa prática.
Seguimos nossa subida e eu estava muito lento devido ao peso da mochila (para variar…). Paramos no Ajax, almoçamos e depois iniciamos a subida até o Alto do Chapadão, onde tivemos a surpresa de vislumbrar um Horizonte aberto ao ponto de podermos avistar a Baía de Guanabara e todas as montanhas da cidade do Rio de Janeiro: Pedra da Gávea, Pico da Tijuca, Corcovado e o Pão de Açúcar. Era uma visão impressionante!!! As nuvens estavam bem mais altas do que nós. Quem acreditou na excursão teve a oportunidade de ter esta visão: tudo no nosso perímetro até o mar, no horizonte, estava visível… Era surreal mesmo!
Ao chegarmos ao Castelo do Açu, mais surpresas: tínhamos toda a visão das montanhas abaixo de nós – os Três Picos, Capacete, Caledônia… e dava para vermos até o Frade de Macaé! Realmente foi uma visão muito linda, que deixou todos felizes e maravilhados.

Seguimos então em direção ao Abrigo e o encontramos totalmente abandonado. Ou melhor, interditado e vazio. Éramos os únicos seres humanos ali. A área de camping era só nossa. Montamos nossas barracas e preparamos nossa janta com o cardápio tradicional de macarrão com linguiça e a opção vegetariana de macarrão com shitake. Foi uma noite tranquila, um friozinho já previsto e um sereno tão pesado que parecia chuva.
Ao acordarmos estávamos dentro de uma densa neblina, mas nada nos desanimou e seguimos em frente. A Alvorada foi às 5:00 da manhã e iniciamos os procedimentos de desmonte do acampamento. Esquentamos a água, alguns tomaram chá e outros café para aquecer, tiramos a tradicional foto de saída e seguimos em frente.

A descida para o Morro do Marco estava um pouco úmida, mas não tanto assim que nos impedisse de seguir. Subimos o Marco e descemos em direção ao Paraíso onde nos abastecemos de água. Partimos para cima no Morro da Luva e demos aquela tradicional parada no local que eu chamo de anfiteatro onde você tem a visão do Açu e tudo a nossa volta, só que desta vez não tinha nada; era só neblina sem paisagem a nossa frente.
Dali partimos direto e nem paramos no alto do Morro da Luva, seguimos em direção ao Elevador; o charco estava bem denso. Ao chegar ao Elevador verificamos que a manutenção que fizeram com colocação de degraus novos foi muito providencial – agora já está quase chegando ao cume, onde demos uma parada e fomos em direção ao Dinossauro. Na descida da rampa tivemos que colocar uma fixa pois o trecho estava bem molhado. Inclusive cheguei a escorregar e nessa, perdi minha pochete que estava encaixada no telescópio da minha mochila.
Depois de superarmos esta descida do dinossauro fomos em direção ao Vale das Antas, cuja descida está muito cansativa. Um pouco antes na descida passou por nós um corredor que iria até o Sino e voltaria. Chegamos ao Vale ao meio-dia e almoçamos. Quando saímos das Antas, já no início da daquela subida ali pelo meio do bosque encontramos o corredor voltando. Maurenza falou sobre a minha pochete e pegou o contato dele. Ontem eu recebi a notícia que o corredor tinha achado a pochete e já fiz contato com ele para resgatar.
Continuamos a subida bem lentamente até o Dorso da Baleia e chegamos ao mergulho por volta das 14:00 horas. Passamos as instruções a todos e eu fiquei controlando o mergulho. Coloquei o Fernando Resende para recepcionar o pessoal na parte de baixo. Maurenza e Anísio seguiram para o Cavalinho. Anisio foi para o Coice, que está mais complicado do que o próprio Cavalinho.
Chegando lá na bifurcação da Pedra do sino fiz os contatos com o Rio de Janeiro, principalmente com o pessoal da van dando uma previsão de chegada na barragem as 20:30 ou 21:00. Errei por meia hora, pois chegamos afinal às 21:30 horas.
Ao chegarmos ao abrigo 4 verificamos que também estava vazio. Nem mesmo abrigueiro havia. Vimos uma janela da parte de cima aberta, mas não pareceu que havia alguém. Nos abastecemos de água, comemos algumas coisas e iniciamos a longa descida. Perto do abrigo 3 a chuva começou e todos colocaram os anoraques.
A partir desse ponto as coisas começam a ser mais lentas, pois um trecho anterior ao Abrigo 3 que foi retificado e a entrada da Marginal estavam muito escorregadios. O solo ainda não foi compactado nesses trechos, então a caminhada naquela lama foi bem desagradável. Um pouco mais abaixo eu fiz uma distensão de joelho e aí a coisa começou perigar para mim, mas seguimos em frente. Voltamos a nos reagrupar na Cachoeira do Papel, onde alguns companheiros retiraram algumas coisas da minha mochila, o que me aliviou um pouco o peso e pude continuar.
No trecho após o Véu de noiva fizeram uma nova retificação, não sei por qual razão, mas o que acontece é que o solo não estava compactado, então foi um trecho também bem lento porque estava muito escorregadio. Isso foi abaixo do abrigo um e antes da entrada da Agulhinha Beija Flor.
Desde a Cachoeira do Papel até a barragem o grupo caminhou junto, chegando na barragem às 21:30 horas. Nos cumprimentamos, trocamos de roupa, separamos os materiais e fomos logo nos acomodando na van para iniciar a descida para o Rio.
Chegamos ao Largo do Machado por volta de 23:30, onde nos esperava uma chuva pesada que em momento algum da travessia pegamos. Saí da van e nem me despedi das pessoas, pois fui correndo pegar minha mochila e procurar uma marquise. Como já não havia metrô, Glaucia me deu uma carona no uber. E assim, finalizamos mais uma bem-sucedida Travessia Petrópolis Teresópolis.


