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Terça-feira, 7 de dezembro de 2021

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Boletim n°8 - Dez. 2003
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Dívida com o Passado

Travessia Petrópolis-Teresópolis

Neste último fim de semana quitei uma dívida antiga: fazer a Travessia Petrópolis-Teresópolis. Cerca de meia dúzia de vezes fiz, há mais de 30 anos, somente o percurso Correias-Açú sem nunca ter completado a Travessia.

No sábado às 5:30 pontualmente saímos do Largo do Machado na van dirigida pelo Toninho. Paramos em Correias para tomarmos um café e seguimos até a porta do Parque, onde foi feita a checagem das mochilas e feito o Pipi-stop.

Iniciamos então a caminhada até a Gruta Presidente onde todos exceto eu tomaram banho em águas geladas. Comemos alguma coisa e continuamos a subir até a Pedra do Queijo onde novamente comemos alguma coisa e tiramos fotos. Observamos nessa excursão que nós brasileiros parávamos para comer enquanto nossos convidados estrangeiros (Ralf, da Áustria e Martin, do norte da Itália) paravam para tirar o tênis, adoram ficar descalços.

Seguimos subindo até o Ajax onde coletamos água e fizemos mais uma refeição mais reforçada com cara de almoço, eu levara macarrão com salsicha e a Celeste um ravioli muito disputado. Por sorte esse dia estava nublado o que nos permitiu uma ascensão tranqüila nos poupando do sol forte da montanha e continuamos subindo até o Açu.

Lá conseguimos deslumbrar o Dedo de Deus, a Pedra do Sino e o Garrafão e no horizonte, de um lado a Pedra da Gávea, o Corcovado e o Pão de Açúcar e do outro os Três Picos de Friburgo. Via-se ainda no centro da Baía de Guanabara as Ilhas de Paquetá e do Governador onde se percebia claramente a pista do Aeroporto Antônio Carlos Jobim. Vimos ainda 2 OVNIs na altura da Baixada Fluminense (na verdade, o reflexo bastante luminoso dos telhados de dois galpões paralelos possivelmente em Duque de Caxias).

Mais uma refeição no Açu e seguimos subindo em direção ao Vale do Paraíso. Na saída do Açú tivemos alguma dificuldade em achar a trilha real, pois havia muitos caminhos em paralelo e o mato estava muito alto e afiado, provocando muitos tombos e alguns pequenos cortes em nossas mãos e braços. Finalmente ao cair da tarde chegamos ao Vale onde iniciamos a montagem das barracas.

O ritmo da caminhada foi ditado pelo Roy, que por recomendação médica após o enfarte tinha que controlar a pulsação para não exceder 130 batimentos por minuto e por mim que começara a sentir dor no joelho, que me forçava a dar meia-trava ao descer degraus nas trilhas. Comentando o problema com o Ralf ganhei uma sessão de fisioterapia para amenizar a dor. Preparamos uma refeição quente: grão-de-bico pré-cozido preparado por mim e espaguete ao sugo preparado pelo Ralf. O macarrão seria preparado em 2 levas por causa do tamanho da panela mas não chegamos na segunda panelada porque começou a chover e tivemos que nos recolher às barracas. Choveu a noite toda com algumas estiadas. Numa dessas estiadas o Ralf foi preparar o restante do macarrão que só foi saboreado por mim, ele e o Martin, o resto da turma preferiu continuar dormindo.

Por sorte ao acordarmos havia parado de chover o que nos permitiu desmontar o acampamento e preparar um delicioso e quente capuccino.

Sob uma névoa úmida e intensa subimos o Morro da Luva e mais adiante tivemos um problema de orientação. Ficamos aguardando o Bira e o Tarcisio que foram pesquisar qual o caminho seguir. Por fim chegamos ao Vale das Antas onde fizemos outra refeição e saímos em direção à Pedra do Sino. Ao chegar à encosta do Sino começou a chover e foi assim o resto da caminhada. Contornamos o Sino e iniciamos a descida. Era tanta água a descer da pedra que a trilha mais parecia um rio encachoeirado. Já não tinha mais o cuidado de evitar pisar na água, não havia outra opção.

Passamos por cachoeiras que segundo os colegas mais experientes normalmente são filetes de água. Na descida não houve tempo nem condições para mais nenhuma refeição. Fizemos uma breve parada no Abrigo 4, onde troquei de camisa e finalmente vesti meu anorak, o que me deu um grande conforto. Por causa do meu joelho ficamos para trás eu o Bira o Tarcisio e a Aleksandra enquanto que o primeiro escalão seguia na frente.

Numa curva da trilha vi um telhado e um carro branco mas ao chegar mais perto vi que não passava de uma miragem, tal era minha vontade de chegar logo. Finalmente cheguei ao carro onde fui calorosamente recebido com uma dose de uísque servido pelo Toninho. Troquei de roupa lá dentro mesmo, minhas botas tinham provavelmente meio litro de água cada uma, minha roupa estava completamente encharcada, muitas coisas dentro da mochila estavam molhadas apesar de embaladas em plástico, nunca havia visto tanta água, mas por dentro o coração e a mente estavam enxutinhos.

Para um fim de semana chuvoso em que foi preciso até resgate de um grupo de excursionistas na Pedra da Gávea até que o saldo para mim foi positivo pois consegui pagar uma dívida com o passado, graças à atenção e carinho da Celeste, à tenacidade e determinação do Bira, à serenidade do ‘Papa’ Tarcisio, à graça e carinho da Aleksandra, ao ‘know how’ do Roy e à garra dos meninos Ralf e Martin. Não posso deixar de registrar também a atenção e dedicação do Toninho.

Um abraço fraterno a todos.

Osiris (03/11/2003)


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