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Segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

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Boletim n°1 - Jul. 1998
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Carta Aberta aos Montanhistas do Rio de Janeiro e à Sociedade

Rio de Janeiro, 13 de novembro de 1997

"Temos guardado um silêncio
bastante parecido com a estupidez"*

Em face à realidade atual, em que o montanhismo passa por grandes controvérsias, apresentamos algumas reflexões que julgamos procedentes no sentido de preservar a pluralidade de opiniões e procedimentos que deve existir em uma sociedade de homens livres, com direitos e deveres.

Somos um grupo de montanhistas amadores, solidários, ecológicos e não competitivos, sócios do Centro Excursionista Rio de Janeiro (C.E.R.J), com anos de experiência, dezenas de conquistas e muitas excursões realizadas com entusiasmo, seriedade e alegria.

Há vários anos existe uma polêmica em que aspectos técnicos, relacionados com a prática de subir e descer montanhas, estão sendo confundidos com questões éticas, reduzindo a própria dimensão da ética, que constitui um conjunto de valores humanos muito mais abrangente. De modo preocupante, vemos um predomínio cada vez maior da técnica sobre a ética, que está distorcendo a própria visão dos montanhistas.

Não nos interessa impor a ninguém a forma como se deve ou não praticar montanhismo, pois para nós montanhismo é liberdade. Seguindo o mesmo raciocínio, não aceitaremos também que nos digam como é que devemos realizar as nossas escaladas.

Nosso grupo sempre teve como princípio básico fundamental a segurança. Considerando que o ser humano é frágil e tem limitações, defendemos a colocação dos grampos onde são essenciais para garantir a segurança, que não implica apenas em subir, mas em descer de qualquer ponto da via.

Reconhecemos que o montanhismo é uma atividade humana perigosa, mas nem por isso devemos torná-la temerária.

O que fazemos não é rebaixar a montanha à nossa técnica, mas nos colocar numa posição mais humilde frente aos riscos inerentes à prática do montanhismo.

Se reduzirmos ao absurdo o raciocínio deturpado de que não se deve bater grampos em locais onde apenas uma minoria de escaladores pode passar, chegaremos ao ponto em que qualquer um poderá alegar, até mesmo falsamente, de já ter conquistado as mais impossíveis vias. Ou seja, é igualmente absurdo imaginar que todas as vias possíveis de nossas montanhas já foram conquistadas, simplesmente porque alguém já esteve em sua base ou a fez com seu próprio estilo.

Da mesma maneira que consideramos a segurança um item essencial dentro desta atividade, devemos lembrar que a prática do montanhismo pressupõe interação direta com o meio ambiente.

Nesse sentido, defendemos e realizamos atividades de conscientização ecológica e preservação da natureza tais como: plantio de mudas, recolhimento de lixo não biodegradável e manutenção de trilhas.

Somos unânimes em condenar a utilização de agarras artificiais ou escavadas na rocha, que ao nosso ver constituem recursos técnicos apelativos. Contudo, os grampos que tem sido enquadrados da mesma forma por alguns, são artifícios de preservação da vida humana, que está intrinsecamente ligada à ecologia, dentro de uma visão mais ampla. Afinal, qualquer montanhista que tenha sido surpreendido por um temporal, o que não é incomum, ou até mesmo por um acidente, sabe a importância crucial de um bom grampo.

Temos conquistado diversas vias de escalada, variantes e descidas, que têm sido sistematicamente repetidas pela comunidade montanhista em geral, como pode ser constatado pela programação técnica dos Clubes e Centros Excursionistas, o que nos traz muita satisfação.

Estas conquistas foram feitas sem nenhum apoio institucional ou patrocínio, e hoje estão integradas ao patrimônio de todos os montanhistas.

Como não nos seduz apenas a fugaz glória de conquistadores, nossos maiores esforços têm sido desenvolvidos na manutenção de vias clássicas. Esta atividade imprescindível, que aprendemos como parte de nossa formação no Centro Excursionista Rio de Janeiro, deveria ser um compromisso de todos, bem como a formação de guias.

A controvérsia em torno destas práticas resultou em nosso afastamento voluntário da instituição onde nos formamos como montanhistas, que no entanto nunca deixou de estar presente em todas as nossas excursões.

Com este texto, o primeiro de uma série, quebramos o nosso silêncio e iniciamos a nossa volta, pois nos sentimos no dever de nos posicionar, responsável e publicamente, diante de questões que tem sido conduzidas de forma parcial e autoritária.

Signatários:
Aleksandra Krijevitch, 42 anos, professora, montanhista e sócia do CERJ desde 73.

Christian Costa, 27 anos, comerciário, montanhista e sócio do CERJ desde 87 e guia desde 90.

Filipe Alvarenga, 32 anos, bancário, montanhista e sócio do CERJ desde 83, guia desde 87 e sócio do CEB desde 83.

Gustavo Mello, 32 anos, astrônomo (D.Sc.), montanhista desde 87, sócio do CERJ desde 88 e guia desde 90.

José Zaib, 40 anos, psicólogo, professor e empresário do setor educacional, montanhista e sócio do CERJ desde 73 e guia desde 75.

Leonardo Perrone, 19 anos, estudante universitário, montanhista desde 92, sócio do CERJ e do CEB desde 97.

Lucia Ladeira, 43 anos, física, montanhista e sócia do CERJ desde 73 e guia desde 88.
Luís Sayão, 44 anos, físico e doutor em ciência da informação, montanhista e sócio do CERJ desde 76 e guia desde 84.

Marcos Eboli, 22 anos, analista de suporte, montanhista desde 92 e sócio do CERJ desde 97.

Osvaldo Pereira (Santa Cruz), 45 anos, engenheiro (M.Sc.), montanhista desde 68, sócio do CERJ desde 72 e guia desde 73.

Ricardo Borges, 26 anos, programador visual, montanhista e sócio do CERJ desde 88 e guia desde 90.

Ricardo Prado, 27 anos, biólogo, montanhista e sócio do CERJ desde 88, guia desde 90 e sócio do CEB desde 97.

Rita Montezuma, 33 anos, bióloga, montanhista e sócia do CERJ desde 92.

Tarcisio Rezende, 42 anos, corretor, montanhista e sócio do CERJ desde 87 e guia desde 89.

Willy Chen, 49 anos, comerciante, montanhista e sócio do CERJ desde 81 e guia desde 84.

* Proclamação Insurrecional da Junta Tuitiva na cidade de La Paz, em 16 de julho de 1809


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