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Quarta-feira, 25 de maio de 2022

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Boletim n°15 - Ago. 2011
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Reflexões de alguém que busca desacelerar

Descobrindo o tal devagar...

Nessa correria da vida na cidade, em que as pessoas cada vez mais reclamam que não têm tempo para nada, Prado e eu resolvemos dar um tempo na rotina e tirar uma semana de férias. Queríamos ir para algum lugar onde o tempo passasse mais devagar, onde as pessoas fossem menos aceleradas. Decidimos partir para a Bahia, para caminhar na Chapada Diamantina.

A viagem desencadeou em mim uma série de reflexões, algumas tão profundas que é até difícil expressar em palavras. O curioso nisso tudo é que o elemento substancial da minha reflexão era justamente a questão: vida acelerada x vida desacelerada. O que ganhamos com uma vida acelerada demais e o que deixamos de perceber e sentir, apenas porque estamos correndo demais.

Nossa proposta de viagem era caminhar sim, mas, também, dedicar-nos a fazer nada. Aprendi com o Prado uma poesia do Fernando Pessoa, intitulada “Liberdade”, cujo trecho de que mais gosto se adequava bem ao momento: “Ai que prazer não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer”.

Ao chegarmos em Lençóis, BA, e descansarmos o suficiente para o início de nossa exploração do vilarejo, pegamos a indicação de um restaurante, que tinha um nome convidativo “Cozinha Aberta”. Chegamos ao local e, para nossa surpresa, na entrada havia uma placa enorme que dizia “VERY SLOW FOOD”. Sem dúvida um sinal que me fez crer ter escolhido o lugar perfeito para nossas férias.

Seguimos em frente para experimentar esse lugar novo, que praticamente estaria fadado ao fracasso numa cidade grande. Esperamos. Realmente esperamos, considerando que já era tarde para almoço e, além de nós, apenas uma mesa com três pessoas tinha feito o pedido. Enquanto esperávamos, sem ansiedade, comemos entradinhas maravilhosas, ao sabor de um ótimo vinho e boa conversa. Veio a comida, deliciosa, e com ela muitos pensamentos e indagações sobre a vida que vivemos.

No retorno da Bahia para o Rio, a aceleração da vida ficou tão gritante que passou pela minha cabeça fundar um movimento: “Não à aceleração”!

Menos de um mês depois da viagem li uma matéria de um ex-professor, em seu blog, que foi passar férias na Itália e, na cidade de Orvieto, na Umbria, perto de Roma, conheceu expressões do movimento de desaceleração da vida, como o “CittaSlow“ (introduzida em cidades de países como Itália, Canadá, Coréia do Sul etc. como política pública) e “Slow Food”.

Fiquei deslumbrada com aquilo. Tantas pessoas já pensavam sobre o assunto! Pesquisei um pouco, o suficiente para um novo horizonte se abrir diante dos meus olhos. Existem diversas ramificações do movimento de desaceleração da vida, tais como aquelas que podemos traduzir como o “turismo devagar”, os “pais mais devagar”, “dinheiro mais devagar”, “jardinagem mais devagar” etc.

Não se trata de se entregar à preguiça, monotonia ou coisa que o valha, mas de repensar prioridades, de saborear o passar do tempo, de curtir tanta coisa simples que a vida oferece, de aproveitar melhor cada momento de nossas vidas, de estarmos presentes e conscientes dos nossos atos e do que nos propomos a fazer.

Eu poderia passar horas concatenando algumas respostas para algumas das indagações que tenho me feito a respeito do assunto, mas, por ora, convido a todos para pensar se no dia-a-dia aproveitam os minutos e horas com todo o prazer que poderiam.

Digo no dia-a-dia, porque sei, como sócia deste clube de tantas qualidades, que as atividades dos fins de semana estão totalmente afinadas com o movimento de desaceleração da vida. E quem sabe não foi por causa do Clube que alguma coisa dentro de mim despertou e apenas aflorou nessa saudosa viagem...

Paula Menezes


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