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Quarta-feira, 25 de maio de 2022

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Boletim n°15 - Ago. 2011
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Tempestades Elétricas nas Montanhas

As regiões montanhosas são, frequentemente, palco de tempestades de raios que são espetaculares se você está longe delas, mas terríveis, se você estiver perto demais. Os picos e as arestas são lugares especialmente atraentes para a produção de raios e não é incomum escaladores serem apanhados nesses locais.

A mudança de tempo nas cercanias das montanhas pode acontecer muito rapidamente. As encostas das montanhas fazem com que o ar quente e úmido suba, e nesse processo de subida, ele se resfria cerca de 1 grau Celsius a cada 100 metros. Essa queda na temperatura causa a formação das nuvens à medida que a pressão do vapor d´água varia, levando à condensação. Mais tarde, o ar se resfria mais ainda, causando as chuvas de verão tão características em muitas regiões montanhosas, como a Serra dos Órgãos, por exemplo.

Anualmente, ocorrem cerca de 30 milhões de raios no mundo. Mas, mesmo com tanto raio caindo, a chance de ser atingido por um deles é calculada como sendo três vezes menor do que ganhar na loteria. Exceto, é claro, se você estiver no topo de uma montanha no meio de uma borrasca...

Em seu processo de formação, as nuvens acumulam cargas elétricas de polaridades diferentes. O raio é uma descarga elétrica entre estas nuvens ou entre as nuvens e a terra. Cerca de 75% dos raios acontecem entre nuvens, e apenas 25% entre as nuvens e a terra.

O ar é um mau condutor de eletricidade se comparado com a terra, as árvores e o próprio corpo humano. Mas as descargas ocorrem através dele por que a ionização melhora sua condutibilidade, permitindo a descarga elétrica.

As descargas ocorrem devido à tendência das cargas se equilibrarem. Neste processo, elas procuram o caminho de menor resistência, ou seja, os melhores condutores elétricos.

Na terra, antes que as descargas ocorram, as cargas elétricas se concentram nos locais mais protuberantes da superfície, por exemplo, o topo de uma montanha, uma árvore num local descampado ou até mesmo um corpo humano numa área que não possua saliências mais relevantes (é o chamado “poder das pontas”, ou efeito corona, do latim, que significa coroa).

Qualquer ponto que se sobressaia em relação ao ambiente local é especialmente exposto aos raios. Nas áreas situadas dentro de um raio de 15 metros dessas elevações, o risco de uma descarga é 100 vezes maior que a 100 m de distância.

Mas não apenas os raios são perigosos para o montanhista. Os campos elétricos que surgem após o raio visível também podem causar sérios danos. Após atingir o solo, a descarga continua a buscar o caminho de menor resistência para se dissipar e tende a seguir pelas superfícies molhadas, especialmente as fissuras, canaletas na rocha, caminhos d'água e trechos alagados. Assim, embora as descargas permaneçam na terra por menos tempo do que no ar, os seus efeitos também podem ser sentidos e causar danos a pessoas que não são diretamente atingidas pelos raios.

Um fenômeno associado às descargas elétricas e os raios é o chamado “fogo de Santelmo”, que é uma luminosidade que surge nas extremidades onde ocorre o acúmulo de cargas elétricas em nível tal que o ar em volta é ionizado e ocorrem descargas com emissão de luz e ruído crepitante característico.

Os raios ou as descargas nas proximidades do montanhista podem causar desmaios, paradas cardíacas, interrupção da atividade cerebral, convulsões, paralisia e provocar queimaduras.

No corpo humano, o raio tende a circular pela superfície da pele, que pode estar úmida ou suada, mas os órgãos internos também podem ser afetados.

Caso alguém seja afetado por um raio ou pelo efeito de sua descarga, deve-se aplicar ressuscitação cardiopulmonar (respiração boca a boca e massagem cardíaca) e tratar das queimaduras.

Mas o melhor tratamento, como sempre, é o preventivo. Procurar saber com antecedência a previsão do tempo para a região em que vai escalar ou caminhar, ficar atento às mudanças climáticas e à nebulosidade, principalmente nos dias quentes de verão, obter informações com pessoas mais experientes e respeitar a natureza. A montanha continuará no mesmo lugar e a gente sempre poderá voltar noutro dia.

Boulanger


REFERÊNCIAS:
SCHUBERT, Pit – Seguridad Y Riesgo, Editorial Desnivel, segunda edição, 2001, Madrid.
HATTING, Garth – The Climber´s Handbook, New Holland Publishers, 2007, Londres.

QUANDO HOUVER AMEAÇA DE RAIOS, O MONTANHISTA DEVE:
• Evitar locais úmidos, tais como fissuras e canaletas na rocha, assim como caminhos d´água e áreas alagadas;
• Evitar arestas e manter-se fora ou longe do cume;
• Sentar ou agachar sobre objetos isolantes elétricos tais como os isolantes térmicos, a mochila ou a própria corda;
• Manter-se afastado de saliências ou de pequenas cavernas;
• Em se abrigando em pequenas cavernas não ficar próximo à entrada ou do teto, ou mesmo das paredes;
• Caso esteja num platô, sentar ou agachar sobre a mochila ou material isolante próximo à borda e não junto à parede rochosa; dar preferência a solteiras curtas;
• Tentar permanecer numa área com proteções mais altas que a altura da própria cabeça, ou seja, evite ser o ponto mais alto do local onde se encontra;
• Não se abrigar sob árvores ou próximo a pedras pontudas;
• Evitar vias ferratas, cabos de aço e escadas metálicas. Afastar-se de objetos metálicos sempre que possível. Eles não atraem necessariamente os raios, mas podem intensificar o efeito das correntes elétricas induzidas;
• Mesmo no interior de abrigos, refúgios, etc., manter-se afastado de portas e janelas abertas para não servir como uma ponte para as descargas que porventura atinjam a estrutura;
• Não montar nem se abrigar em barracas em campo aberto. Barracas não protegerão contra os raios.


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