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Quarta-feira, 25 de maio de 2022

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Boletim n°15 - Ago. 2011
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Sonia Perrone, Asa Morena da Unicerj

No dia 23 de julho de 2010, Sonia Perrone, mãe do Leo, descansou após uma luta infatigável de mais de uma década contra o câncer. Luta esta que nunca tirou dela sua alegria de viver nem o brilho dos seus olhos e o carinho que tinha por nós da Unicerj.

Guimarães Rosa dizia que algumas pessoas não morrem. Ficam encantadas. Foi o que aconteceu com esta mulher de fibra, caráter, coragem e bondade que aprendemos a admirar e que estará sempre conosco enquanto vivermos.

Acompanhamos de perto inebriados, comovidos e felizes seu destemor e vontade de viver todas as vezes que ela saía do hospital, pois gostava de receber os amigos do Leo em sua casa, que se tornou importantíssíma em momentos cruciais da história de nosso Clube. Isso para não falar das festas de aniversário do Leo, que se tornaram uma tradição unicerjense de todos os fins de ano ou então nas primeiras semanas de janeiro, pois como todos sabem, Leo nasceu em um dia 31 de dezembro e em algumas ocasiões a comemoração, por falta de uma data conciliadora para todos, entrava no ano seguinte.

Não sei de onde ela tirava tanta força. Será sempre para nós um exemplo de amor à vida. Vida esta que deve, sempre que possível, ser vivida com alegria e festas. Esteve internada várias vezes e sempre saiu do hospital com muita disposição para trabalhar, fazer o bem e lutar pela vida verdadeira.

Mesmo sabendo que dessa vez era uma situação mais difícil, Lucia e eu tinhamos muita esperança de que ela, como em tantas outras vezes, conseguisse se recuperar plenamente para voltar ao convívio de sua família que tanto a amava e da qual já nos sentíamos parte.

Dessa vez, contudo, não foi possível e nós ficamos muito tristes com essa perda, que enlutou todos nós da Unicerj. Perda imensa para Lucia e para mim que a conhecemos em 1992, quando Leo, que ainda era um menino de 14 anos, começou a fazer conosco suas primeiras escaladas...

Lembro-me da conquista que Valdecir, Edilso e eu fizemos para ela em 26 de agosto de 2001, no Moitão do Sul, em Atílio Vivácqua, Espírito Santo.

Impossível também será esquecer de sua alegria, e surpresa, na festa daquele fim de ano, ao receber das mãos do Borges o croqui que ele fez, logo após ter ido lá. No desenho aparecia todo o trajeto dos seis rapeis que constituem a belíssima Descida Sonia Perrone.

Quase nove anos depois, ficamos muito tristes. De fato os últimos tempos tem sido muito dolorosos para vários sócios do Clube que perderam seus pais.

Sonia vai fazer muita falta. Nunca mais as festas em sua casa serão as mesmas. Lá celebramos tantas conquistas. Inclusive a sua.

Sonia queria muito ser avó. Demorou um pouco, mas quando vieram, foram logo quatro no mesmo ano: as gêmeas Carolina e Isabela, filhas do Alexandre e da Ana, irmã do Leo, bem como Rodrigo, filho da Fernanda e de Sergio, irmão do Leo, e por último Guilherme, filho do Leo e da Bia. Todos nascidos em 2008.

Eles eram a razão de viver da Sonia, que tenho certeza de que conseguiu viver mais um pouco principalmente por causa deles.

A verdade é que a vida é misteriosa mesmo e nós nada sabemos a seu respeito e ainda menos da morte. Só sei que nada é por acaso e que a impressão que temos é que tudo tem sentido, embora na maioria das vezes não consigamos saber qual é.

Há alguns anos, Lucia e eu fomos convidados para participar da festa de noivado do Sergio e da Fernanda, na casa do Leo. Era uma comemoração íntima e descobrimos que nós dois éramos os únicos presentes fora das famílias, o que muito nos honrou. Sérgio tinha alugado um equipamento de karaokê e nos divertimos bastante, pois conhecíamos muitas das músicas. Na ocasião, Sonia e eu fizemos um dueto que mereceu bis, cantando Asa Morena, um sucesso de Zizi Possi. A partir de então, todas as vezes que nós ouvíamos essa música nos lembrávamos de Sonia Perrone. Agora mais ainda. Ela será para sempre a Asa Morena da Unicerj

Santa Cruz


Asa Morena
(Letra e Música de Zé Caradípia)

Me faz pequena
Asa Morena
Me alivia a dor
Aliviando a dor que mata
Me faz ser teu amor...
Me toma no crescer
De um beijo muito louco
Me implodindo aos poucos
No universo a desvendar
A vastidão do teu amor...
Me toma sem pensar
Num gesto muito forte
Unindo o sul e o norte
Do meu corpo
Frágil corpo
Com a mais pura emoção...


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