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Segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

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Boletim n°10 - Dez. 2005
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Como o Bom e Velho Land Rover chegou ao Planalto

Texto transcrito do Boletim do CERJ de agosto de 1973

E lá estávamos nós, no meio da noite, em plena Via Dutra; um de nós, imundo de graxa e óleo, remexia qual cirurgião bizarro as entranhas de um paciente “sui-generis”: o famoso Land Rover ’52 do Osvaldo “Santa Cruz”; os outros, qual instrumentadores fantásticos, remexiam ferramentas e sucata, sob o lusco-fusco de um farolete que exalava os últimos suspiros.

Putsgrila! Que fazer com um carro que detesta rodovias pavimentadas? Que gasta mais óleo que gasolina? E que nos piores caminhos comporta-se como um Rolls-Royce?

Foi essa lata de rodas que nos levou ao Planalto do Itatiaia num desses fins de semana. A excursão foi, na realidade, compostas de duas “aventuras” distintas:

- o bivaque no planalto, com passeios maravilhosos sob um céu límpido de inverno, noite estrelada e madrugada oito graus abaixo de zero;

- A VIAGEM! Não foi fácil! Pilotar a nossa máquina maravilhosa requer músculos de halterofilista (o câmbio é “queixo-duro” em todas as marchas), pernas de atleta (o motor de arranque é manual) e, sobretudo, nervos de aço (os freios deixam um pouco a desejar). Mesmo atendendo a todos esses requisitos indispensáveis e sendo motorista experiente, sempre se sente um ligeiro frio na espinha ao constatar, por exemplo, que o volante está livre em nossas mãos, e o carro livre sobre suas rodas; o que é apenas um dos pequenos desarranjos mecânicos que afetam a performance do nosso notável veículo. Para superar essa crise, dispúnhamos de uma equipe de manutenção sempre pronta a parafusar, registrar, martelar, checar água, óleo e gasolina (que eram repostos à custa do conteúdo de numerosas latas, botijas e garrafas que acompanhavam nossa bagagem); essa equipe ficou famosa em todos os postos onde paramos porque as atividades de manutenção eram acompanhadas de fartos resmungos, pragas e imprecações, bem como ruidosas e simiescas manifestações de alegria sempre que o motor de arranque resolvia funcionar, evitando os tradicionais empurrões; por outro lado, nada melhor que o bom e velho Land Rover para passar quaisquer buracos, lamaçais, capim ou areia, ocasiões em que é absolutamente insuperável, permitindo-nos guiar em terceira marcha em lugares onde outros carros partiriam suas suspensões ou atolariam até os eixos. Foi realmente um barato genial esta excursão onde o carrão passou a ocupar lugar de honra na galeria das “Charangas do Excursionismo”, lado a lado com a famosa Kombi do Walter, aquisição anterior da galeria, a qual promete receber novos membros brevemente (os quais, esperamos, terão breques funcionais).

J.A.Prata


José Antonio dos Santos Prata é um veterano montanhista do Rio de Janeiro. Vive há tempos em São Paulo e, vez por outra, aparece para reencontrar os amigos e as montanhas. Foi Presidente do Centro Excursionista Rio de Janeiro (CERJ) no fim dos anos 70 e, na década seguinte, dedicou-se ao Clube Excursionista Carioca (CEC), onde também foi Presidente. Prata começou a praticar montanhismo no CERJ, tendo como companheiros de Escola de Guias, Zaib e Santa Cruz, em 1973.


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